quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

I'm home again

Hoje, 28 de Janeiro de 2010, eu abri esse blog depois de muito tempo. Reli alguns dos meus textos. Confesso, os meus dedos tremeram. Uma vontade súbita de me transformar em palavras me tomou novamente. Senti a minha mente trabalhar. Na verdade, GRITAR. É, ela sentiu tanta saudade desse espaço. Milhões de pensamentos me tomaram, fiquei até um tempo desacordado, embebecido nas cenas e nos diálogos. Então minha irmã me chama: hei, acorda! Parece um retardado ai. Ela, sempre com doces palavras, às vezes tem razão. A cabeça se esvaziou assim que eu pisquei os olhos. Isso está me incomodando muito. Não consigo reter uma linha lógica de raciocínio. Não consigo prender a minha atenção por mais de dois minutos em algo que eu esteja fazendo. Agora, por exemplo, tive vontade de escrever várias coisas, mas nada estruturado me veio. Estive na praia, na faculdade, nas festas, no trabalho que eu pretendo ter, nos sonhos que eu abandonei, nas carreiras que eu poderia ter seguido, nos complexos que eu me curei e naqueles que eu criei. É complicado. E com tudo isso para refletir, pensar e digerir, eu acabei optando pela funga. Usei a clássica, me afundei em livros e séries. Li uns quantos nessas “férias” e reli uns tantos outros. Tenho indicações de livros e séries para o ano todo. Mas eu, sinceramente, sei o que me afetou desse jeito. E isso não vem ao caso agora. Estou melhor agora e só estou aqui para dizer que voltamos: Eu, o meu Eu Lírico e o meu Alterego. E estamos com vontade de por nessas linhas tudo o que me vem acumulando na cabeça nesse tempo de ausência. Quem sabe assim eu volte a ter uma noite de sono tranquila como há muito tempo eu não tenho sem aquelas vozes me incomodando.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

No quarto, luz apagada.

O fim vem logo antes do começo. Com uma decisão. Não há mudança na rota de colisão. É inevitável. Ela, a colisão, já estava prevista desde o início. Desde a escolha do caminho. Por isso a reflexão é tão importante. O esmiuçar das ideias, o ruminar os farelos, o egoísmo do pão. Partilhar as vezes é muito caro, não vale a perda. As vezes a perda, também, pode trazer frutos maiores. Por isso a reflexão é tão importante. É nesse momento que tudo cresce. No regar, no adubar e na espera. O Sol é natural e de propriedade de todos. Cabe saber quem irá melhor utilizá-lo. Creio que além disso haja o não esquecer. Sim, você pode se dedicar, cuidar, mas se não tiver paciência tudo se perderá. Ter paciência é virtude de poucos. Você tem que ter o privilégio da florescência. Experimentar. Tão belo. Tão magnífico. Tão sexo. Talvez por isso poucos dediquem-se a esse caminho. Pois uma rapidinha não demora nada mais do que meia hora. E o que é isso para uma vida inteira? Nada! Mas um monte de rapidinhas pode ser alguma coisa... Por isso a reflexão é tão importante.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Será que funciona?

É. Eu sei. Mas não tem como. É sempre assim. Não consigo evitar. É clichê na minha vida. Virou rotina. Não falo da insônia. Nem da correria. É. Disso mesmo. Tenho medo que seja para sempre. Sendo que todos buscam um felizes para sempre. Por isso seguem em frente. Mera ilusão. Eu não. Felicidade nunca foi real. É uma realidade incondicional. Não existe. Eu busco outra coisa. Não. Eu ainda não sei o que é. Onde estaria o desafio se eu soubesse? É a graça da vida. Sempre cheia de chegadas e partidas. Faz-se sempre uma despedida. Nada de festas. As vezes há tristeza. Outras sorrisos de alegria. Não. Alegria não é felicidade. Alegria existe. Normal. Todo mundo confunde afinal. A felicidade é um estado completo. Muito complexo. Alegria é passageira. Ato de puro reflexo. Calma. Sem desespero. Há ainda o sexo. Sim. Não me chame de rude. Quer coisa melhor? É o ato que nos faz mais próximos da completude. Sério. Olhe para mim... E ai, a fim?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A última de um bandoleiro

É tudo constante nas retinas. Os mesmos sorrisos amarelos, as mesmas caras fechadas, o mesmo cinza. É sempre a mesma fumaça nas narinas. Puxa, prende, fuga da mente, uma pequena partida. Como você queria a viajem daquela menina. Rebolation modo:on, olhar de ressaca, boca carnuda cheia de malícia. Garçon, manda aquela estricnina. Agulha no braço, suor na testa, só mais essa vez, para uma grande saída. Preciso só de um pouco mais de adrenalina. Só mais essa vez, eu prometo, é a última com minha doce heroína.



Para um grande amigo que partiu hoje. Realmente foi a última, meu caro. Que Deus o compreenda e o tenha.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Summer Time

E a insônia me persegue. Atormenta. Irrita e acorda os demônios enjaulados. E eu fujo. Fujo do meu corpo. Para bem longe. Busco o som do mar nas rochas. O calor em minha face branca e de barba cerrada. A brisa leve de assobio ao léu. O som do violão dedilhado com gentileza e maestria. Saudades das tardes de sol, da cama e da despreocupação, aquele velho dia-a-dia. Tardes de sono acordado ao som do vento na janela branca entreaberta. Do livro muitas vezes lido ao lado do meu corpo estendido sobre o edredon. E aquela eterna espera sem nenhuma pressa pelo desejo de levantar. Saudades da solidão criativa. Talvez até da solidão sofrida; sozinha. Do copo de cerveja no bar sem nome em meu peito. Mas assim, diriam os analistas, eu não seria feliz direito. Mas quem realmente é? Eu só quero o que o tempo me tomou por crescer; por longa data. O regresso de uma alma à sua época. Eu quero o fim do termo saudade. Eu quero a paixão de certa idade. Eu quero tudo, tudo outra vez.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dois amores e o erro

A carne queima igual brasa de lenha seca. A cada fechar de olhos um batuque infernal inunda os ouvidos cansados. A vista queima também, arde, lacrimeja, pressiona o cérebro contra a nuca. O sorriso é amarelo, sem contorno, sem vida. Na realidade não há sorriso, é apenas uma expressão vazia; de nada. Toda a carcaça está abalada, fraca. Um sopro e despenca ao infinito do poço. Sem retorno. Sem grito de desespero. Só o zunido do vento sobre a massa semi-falecida. Só lhe resta o desejo de calmaria; o silêncio. Mas falta-lhe forças para buscar o sossego. A cama torna-se montanha cercada por abismos. E o lembrar é tortura para a consciência recém retomada. E tudo se agrava ao ver, no escuro das imagens fragmentadas, os olhos dela cheio de lágrimas. Tudo fica mais pesado. Tudo fica mais humano. Agora o levantar-se ficou mais penoso, mais indesejável. A garganta seca clama por água. Os olhos fornecem somente a salgada. E chega o inferno da lucidez e sobrepõe à maldita ressaca.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O que eu faço, Seu doutor?


- E o sangue ainda quente em minhas mãos fez-me ranger os dentes, trancar a respiração, enxergar os escuros do quarto mais nítidos do que toda a luz que emanava pela janela. A dor inicial já não importava mais, mas o sangue sim. Só o sangue em abundância que importava. O pavor me dominou, os sentidos me abandonaram e a luz se apagou. E na minha primeira vez eu desmaiei e descobri que tinha, e tenho, hermatofobia. E agora toda a vez que eu e o meu namorado estamos, o senhor sabe... transando, eu acabo desmaiando por lembrar do ocorrido. Para ele tanto faz, aquele canalha, porque quinze minutos é mais tranquilo do que duas horas. Mas o que me preocupa não é ter que atingir o orgasmo sozinho, doutor, mas é ser violada por trás na hora em que eu desmaiar. O senhor entende, né? Anal. Por isso tenho evitado dormir com ele. E ele não suporta mais isso, me disse que está revendo nosso relacionamento. Pediu um tempo, sabe? E eu o amo, doutor, sei que ele me ama e não quero perdê-lo. E tenho medo que ele esteja já me traindo com outra. O que eu faço, Seu doutor?

- Terapia!

- Terapia!?... Ah, para perder o medo de sangue? É isso, doutor?

- Não, para perder esse medinho besta de dar a bunda. Porque, sinceramente, todo homem sonha em ter uma mulher, assim, como a senhora: bonita, sexy, que não se preocupa em atingir o orgasmo sozinha e que desmaia na hora do sexo. Seu namorado, um cara de sorte. Não será eu, e a senhora me desculpe, que irá estragar tudo isso. E se a senhora o ama e quer que ele continue a amando, faça o que eu digo: procure um terapeuta!